Volks Extreme Performance

Super Gol GTS

06/01/04

Imagine a seguinte situação: um Golzinho GTS quadrado, caretinha, encosta num carro esportivo importado e dá sinal com o farol. O importado acelera, mas o Gol segue apertando. O carrão esportivo continua acelerando até que o Golzinho solenemente abre e ultrapassa. Sonho? Ficção? Delírio de uma tarde de verão? Nada disso, esta cena pode acontecer a qualquer momento, em qualquer estrada, porque o Golzinho com cara de tiozinho tem um motor pra lá de fuçado que manda 446 cv em dinamômetro. O dono do Gol GTS, Rogério Carlos Fabregues, 36 anos, não esconde a felicidade: “fiz para empurrar os gringos”, ameaça. E alega que nunca levou desaforo para casa “já ralei muito BMW e Audi”.

A mecânica entrou na vida deste paulistano muito cedo. Aos 13 anos ele já vivia enfiado na oficina do pai, Ruben Bill Fabregues, exímio preparador de motores de carro e moto. “As motos do meu pai ficaram quatro anos invictas no campeonato sulamericano”, orgulha-se Rogério.

Dessa paixão hereditária, Rogério acabou adquirindo a mania de fuçar nos motores até arrancar muita cavalaria.

Externamente ele fez questão de manter o Gol GTS quase original, inclusive com rodas de 14”. A suspensão recebeu reforço com molas e amortecedores Rulcon e barras estabilizadoras Gariglio.

Os freios ventilados são originários do Santana automático, que conferem maior capacidade de frenagem. Por fim, o câmbio é argentino e teve a relação original reescalonada.

O interior foi igualmente mantido original, pois o banco Recaro já era item de série do modelo e a tapeçaria bem acabada para os padrões da época. Apenas o painel recebeu alguns instrumentos essenciais para controlar o funcionamento do motor, este sim, a grande estrela da festa.

Modelo argentino
Felizmente a rivalidade entre Brasil e Argentina se limita ao futebol, porque quando se trata de paixão pela mecânica os dois países são unânimes em preferir veneno pesado.

O Rogério herdou do pai, Bill, a genética argentina e novas tecnologias em preparação. Eles representam algumas marcas argentinas como Cosma (comando de válvulas) e Edival (molas e válvulas), além de câmbio, pistões, bielas, molas e amortecedores.

“A idéia de fazer o Gol foi também uma oportunidade para testar todos estes produtos argentinos”, explica Rogério.

Um dos destaques deste motor é a turbina Garret bipulsativa com rotores de palhetas duplas. Este sistema (importado) permite que com apenas 1,8 kg de pressão direta, o efeito seja equivalente a 2,8 kg de pressão numa turbina convencional. Ou seja, é potência para atropelar muito carrão esportivo importado (leia mais no quadro ao lado). Como Rogério mesmo diz, “tem muito dono de BMW e Audi que estão até agora tentando decifrar o que foi aquela mancha vermelha passando pela lateral”. Nada mal para quem já foi campeão paulista de arrancada com um Jeep!

Receita argentina
O Gol GTS 1990 começou sua mudança de vida pelo motor. Utilizando peças argentinas e com a ajuda de banco de fluxo para redesenhar o cabeçote, este motor que tinha originalmente pouco mais de 100 cv foi levado ao dinamômetro, onde registrou a impressionante marca de 446 cv a 7 600 rpm, enquanto o torque máximo ficou em 44 kgfm a 5 800 rpm. No equipamento de rolete, sem interferência da aerodinâmica, o Golzinho chegou a 270 km/h! A alimentação é por carburador 2E todo retrabalhado, os pistões são IASA com 83 mm e o comando é argentino Cosma (292ºx284º). Se alguém vir este carro pelo retrovisor é melhor sair fora!

Ficha Técnica
Motor AP 1.9 -  8V - 446 cv
Alimentação Carburador 2E
Turbina Garret bipulsativa
Pistões lasa, forjados, 83 mm
Biela Ercoli
Válvulas e Molas Edival
Rodas Orbital - aro 14
Pneus Pirelli P7000 195
Amortecedores Rulcon
Molas Rulcon
Barras Gariglio, duplas
Bancos Recaro
Shift Light Orlan
Instrumentos Monster
Volante Gol GIII

CarroOnline


   
 

 

Volks Extreme Performance - 1999/2015

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