Volks Extreme Performance

Passat ou Audi 80?!

Todo apaixonado pelo "antigo" VW Passat (e há muitos!), sabe que o Passat atual (alemão), importado e a um custo muito maior do que o que era fabricado aqui até o fim da década de 80, em nada tem a ver com seu primo brasileiro e que na verdade trata-se de um Audi com roupagem de Volkswagen. Desta forma, não que algum apaixonado pelo carro (o "antigo") não gostaria de possuir um Passat "Alemão", mas as razões que motivam o desejo já não são as mesmas. Agora o que não sabem muitos dos apaixonados do Passat brasileiro é que já o antigo, tinha na verdade alma de Audi...

O Passat foi um caso de sucesso por muitas razões. A primeira delas se deve ao fato de que logo na sua chegado ao mercado brasileiro, em 1974, ele foi responsável por uma virada de mercado da Volkswagen, que até então vinha tendo suas vendas caindo devido a uma linha ultrapassada e mesmo cujo carro chefe - o fusca - enfrentava dificuldades. Um ano antes ele já havia sido lançado na Europa, exatamente com o mesmo nome e da mesma forma que o Fusca, representava um marco na história da empresa.

O carro causou furor, já que a montadora havia abandonado diversos conceitos que até então faziam parte dos seus modelos. Os motores traseiros de cilindros opostos e refrigerados a ar, deram lugar a um motor de 4 cilindros em linha, dianteiro longitudinal, refrigerado à água, tração dianteira e com um nível de potência que fazia o Passat ter um desempenho semelhante a carros maiores e mais caros como o GM Opala.

As semelhanças com o irmão alemão eram muitas e, enfim tínhamos no mercado brasileiro um carro com padrão de carro europeu. Porém houve no mesmo ano do lançamento do Passat alemão (1973) outra estréia, a do Audi 80. O que espanta no caso, é que a não ser pela traseira, ambos os carros eram praticamente idênticos. No caso do Passat a traseira era fastback, exatamente como na versão brasileira e o Audi 80 era um sedan legítimo, com uma traseira muito parecida com o nosso antigo Voyage.

É verdade que a versão alemã inicial do Passat tinha um aspecto externo mais próximo da nossa versão, entretanto com o passar dos anos o Passat foi mudando na Alemanha para o design que nós conhecemos aqui como o Santana, especialmente a frente. Já as mudanças na versão brasileira seguiram a mesma linha das mudanças feitas no Audi 80, exceto pela traseira que manteve-se basicamente a mesma até o fim de sua produção.

A década de 80, marcou a chamada geração II do Passat tanto aqui, quanto na Europa e nos EUA, onde ele era chamado de VW Dasher. E foi na geração II que as diferenças entre a versão brasilera e européia começaram a se acentuar, ao passo que as semelhanças com o Audi 80 continuaram, pelo menos do ponto de vista estético, já que mecanicamente o Audi 80 começou a evoluir mais rapidamente, como a adoção de um motor de 4 cilindros e 1.7 litros ou ainda o 2.2 de 5 cilindros e 100 cavalos de potência, isto já em 1981.

Outros aspectos que aproximavam o Passat brasileiro do Audi 80, estavam na parte mecânica. Tanto em um, como no outro, era empregada a mesma suspensão na frente e atrás. As especificações do motor que equipava a primeira versão de ambos os modelos, também idênticas no deslocamento do motor (1470 cc), no diâmetro e curso dos pistões (76,5 mm X 80 mm) e uma pequena e quase desprezível diferença na potência e torque, devido a diferenças nas taxas de compressão dos motores de ambos, devido a diferença na octanagem dos combustíveis europeu e brasileiro. Assim a potência do Passat era de 72 cavalos contra 75 do Audi 80 e 11.5 kgfm e 11.6 kgfm de torque, respectivamente.

Mas as semelhanças não param por aí e, a versão TS do Passat, herdou os duplos faróis e o mesmo câmbio alemão do Audi 80 GT. Internamente outro ponto em comum com o 80, já que painel, consoles e bancos também eram os mesmos, itens que no caso da versão alemã do Passat eram diferentes.

O sucesso do 80, fez nascer um outro modelo dentro da Audi - o 4000. Mais uma vez a frente da versão brasileira (grade, duplos faróis retangulares e lanternas do 82), foi inspirada neste Audi e não no Passat alemão, que a esta altura já era mais Santana do que Passat. Aliás, nesta época a versão alemã do Passat também começou a se assemelhar com o Audi 4000, mas em termos de carroceria e contava com as versões fastback (a tradicional traseira), wagon ou perua (chamada de Passat Variant e que nada mais é do que a Quantum) e a sedan (que é o Santana)!

Naturalmente, a segunda metade da década de 80 marcou o declínio da era Passat no Brasil, tanto pelo surgimento de concorrentes fortes como o Ford Escort ou outras opções mais atraentes como o VW Gol, como pela falta de ações da Volkswagen para revitalizar o modelo, ao contrário do que aconteceu na Alemanha com o Audi 80 e com o Passat Alemão. No caso do Audi 80, a evolução do seu conceito significou o Audi 4000 e atualmente o A4. Já o Passat alemão entrou no mercado brasileiro novamente, só que disfarçado sob o nome de Santana e mais tarde com o nome antigo, mas sem o mesmo encanto e com sotaque e preço de alemão!

Assim se você é um proprietário de um Passat antigo e se deparar com um pomposo e orgulhoso proprietário de um Passat "alemão", olhando com menosprezo para seu carro, não se aborreça, pois no fundo seu Passat também tem alma de Audi, da mesma forma que o dele... ;-)

Texto e fotos gentilmente cedidos por
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