Volks Extreme Performance

Passat - A revolução da água
2ª Parte

Em 1977 saía a versão quatro-portas, que tinha os mesmos 4,18 m de comprimento e incluía pequenas janelas nas colunas traseiras. Além da versão básica, chegava no ano seguinte o acabamento LSE, com os mesmos quatro faróis redondos e o motor do TS. Andava um pouco menos, por ter o peso de equipamentos de conforto como ar-condicionado, mas atendeu em parte àqueles que, até o ano anterior, podiam importar modelos luxuosos.

Trazia encostos de cabeça traseiros, bancos com revestimento mais refinado e apoio de braço central no banco de trás. Todos os vidros eram esverdeados. A suspensão também foi alterada para trazer mais conforto: ficou menos dura, mas não comprometeu a estabilidade. Na mesma época as dificuldades de engate de marcha eram sanadas com louvor, tornando o Passat um expoente nessa questão e até hoje não repetido na marca. A alavanca, curta e precisa, exigia bem pouco esforço, chegando a conferir ao carro um ar novo e superior.

No mesmo ano o Passat ganhava a versão de três portas, opção interessante por permitir ampla entrada de bagagens maiores. Era beneficiada também pelo rebatimento do banco traseiro. A VW chegou a testar aqui um cinco-portas, que não chegou ao mercado. Alguns olhavam a porta traseira como uma nova fonte de ruído: por ter suspensões firmes, o Passat não era um carro muito silencioso. Sofria com nossos buracos, ondulações e imperfeições no asfalto e nos paralelepípedos do território nacional, numa época em as famigeradas lombadas ainda não haviam sido inventadas por algum "gênio".

Em 1978 aparecia o Corcel II, que ganhava do Passat em alguns quesitos mas nunca se igualou em desempenho, mesmo com motor 1,6. E, como o Polara, não tinha versão de quatro portas, apesar da preferência nacional na época ser pela de duas. Também a confiança na Volkswagen no País era muito grande, o que ajudou as vendas do inédito modelo "a água".

No mesmo ano chegava uma versão esportiva e mais barata, a Surf. Vinha com acabamento mais despojado, sem calotas e frisos cromados, e carroceria com cores vivas para atrair o público jovem. As rodas pretas recebiam sobre-aro cromado e os pára-choques também eram pretos. Recebia a mesma motorização de 1,5 litro das versões comuns. A fábrica cogitou de empregar pneus diagonais para diminuir custos, mas felizmente desistiu da idéia. Chegaram a ser impressos manuais do proprietário com a especificação.

Em 1979 vinha a primeira reestilização. Eram adotados faróis retangulares, seguindo o modismo europeu e brasileiro, grade preta com friso cromado horizontal e luzes de direção nas extremidades, na cor âmbar. No TS havia pequena faixa preta sob os vidros laterais e o logotipo da versão no pára-lama dianteiro, acima do novo friso de borracha que percorria toda a lateral. Os pára-choques, em toda linha, ganhavam extensões laterais (ponteiras) em plástico, que iam até a caixa de rodas, e havia novas lanternas traseiras.

O motor a álcool logo estaria disponível, com maior taxa de compressão. Primeiro para a versão 1,5 e depois na 1,6, com a fabricação do carburador de duplo estágio para esta cilindrada pela Wecarbras. Era mais rápido em velocidade final e aceleração. Foi o segundo carro movido por este combustível no País, precedido apenas pelo Fiat 147.

O Passat estava bem desenvolvido e com ampla gama de opções quando, em 1982, chegou ao mercado a novidade da Chevrolet: o Monza, versão brasileira do Opel Ascona alemão, na versão hatchback 1,6 e logo após na 1,8 litro. Tirou vários compradores do Passat, que começava a apresentar o peso da idade. Quando chegaram as versões de três volumes com duas e quatro portas, em 1983, a situação do carro da Volkswagen ficou ainda mais apertada.

Era o momento de introduzir novidades. Na linha 1983 o Passat ganhava nova frente, com quatro faróis retangulares de lâmpadas halógenas incrustados em molduras espelhadas, pára-choques mais modernos, grade de perfil mais baixo, luzes de direção no pára-choque (como no modelo inicial) e refletores nas extremidades dianteiras. O conjunto ficou bonito, harmonioso e mais atualizado, numa tentativa de modernizar o projeto de quase dez anos.

Outras importantes alterações eram o motor MD 270, chamado de motor Torque, e novas opções de câmbio. Nascia o 3+E (E de marcha econômica), com efeito overdrive, em opção ao tradicional e mais esportivo. Era um recurso enquanto não aparecia o câmbio de cinco marchas, há muito adotado no Corcel II e agora também no Monza. O motor tinha maior taxa de compressão, novo comando de válvulas, ignição eletrônica de série, carburador de corpo duplo, filtro de ar com válvula termopneumática, retorno de combustível e pistões de liga mais leve. Ganhava em desempenho e economia.

Com aprimoramentos na caixa de câmbio, não se precisava mais de troca de óleo e, com isso, havia menos gastos em manutenção. Para os muitos fãs do TS, porém, uma má notícia: todas as versões da linha Passat, assim como Voyage e Parati, passavam à cilindrada de 1,6 litro, antes exclusiva do TS e do LSE, o que representou uma perda na caracterização destas versões como topos de linha. A propósito, a esportiva passava a se chamar GTS e havia uma duas-portas de luxo, GLS.

Para 1984 as versões de acabamento eram rebatizadas Special (básica, com molduras pretas nos faróis), LS Village, LSE Paddock e GTS Pointer. O fã-clube do antigo TS permanecia insatisfeito, o que levou a Volkswagen a adotar neste último, meses depois, o novo motor de 1,8 litro lançado no Santana - similar ao do Gol GT, mas neste recebia comando de válvulas mais bravo. O novo Pointer agradou em cheio por reunir conforto, agilidade e confiabilidade num só carro.

Suas rodas esportivas de alumínio tinham um desenho bonito e aro de 14 pol, com pneus 185/60 HR 14. A estabilidade era impecável. Tinha vidros verdes e pára-brisa com faixa degradê, encostos de cabeça para quatro passageiros e descanso de braço no banco traseiro. Os bancos dianteiros eram ótimos Recaro, com regulagem de altura e contorno envolvente, e havia teto solar opcional.

O volante já era o famoso "quatro-bolas", em alusão aos botões de buzina, surgido na Alemanha com o Golf - um excelente quatro-raios de 36 cm de diâmetro, procurado pelos que personalizavam seus Volkswagens por anos a fio. O carro era realmente muito interessante e atrativo. Fazia vista pela suave agressividade, justificada pelo desempenho do motor 1,8. Em novembro de 1984 vinha a série limitada Plus, com o motor do Pointer.

Em meados de 1985, novos retoques na aparência: pára-choques envolventes em plástico injetado (que só chegariam aos demais VW "a água" na linha 87), lanternas traseiras frisadas e painel totalmente novo e muito mais elegante, inspirado no do Santana, incluindo termômetro de óleo no console do Pointer. Outro ganho era o câmbio de cinco marchas. A padronização da linha eliminava a carroceria de quatro portas, tendo a de três sido descontinuada há algum tempo. Na verdade, o crescimento da família BX (do Gol) estava gerando conflito com o Passat.

O Pointer ganhava nesse ano um novo concorrente, o Monza Hatch S/R, com um 1,8-litro apimentado de 106 cv e relações de marcha mais próximas e curtas. Havia também o Escort XR3, com um 1,6 de 86 cv, e o irmão menor Gol GT, de 99 cv. Para 1986, porém, o Passat reagia com os novos motores AP-600 (1,6 litro) e AP-800S (1,8), de bielas mais longas, aplicadas um ano antes no Gol GT e no Santana.

Para o Pointer, a mudança representou a padronização com o Gol em termos de comando de válvulas e carburação, levando a potência a 99 cv (diz-se que um pouco mais, pois já havia a incoerente tributação mais elevada acima desse valor). Andava muito bem, possuindo um conjunto mecânico ótimo: de 0 a 100 km/h em 11 segundos e velocidade final de 175 km/h.

As vendas do Passat, muito boas até o principio da década de 80, começaram a sofrer os efeitos da concorrência com Corcel, Del Rey e principalmente Monza, que começaram a embaçar os olhos de seu fã-clube. A própria Volkswagen estava dando mais espaço e atenção para a linha Gol e o Santana, deixando o Passat defasado em equipamentos e tímido em divulgação. O último Pointer, de 1988, ainda não oferecia controles elétricos de vidros e seu estilo estava envelhecido diante do reestilizado Gol GTS.

Em 2 de dezembro daquele ano, os mais de 600.000 donos e os muitos admiradores ficavam desiludidos com a Volkswagen, que descontinuava o Passat. O primeiro VW "a água" continuava evoluindo na Alemanha (a quarta e a quinta geração seriam importadas a partir de 1994, convivendo até hoje com o arcaico Santana), mas no Brasil passava à história aquele que muitos afirmam, com convicção, ter sido o melhor carro médio de seu tempo fabricado no País.

Texto original: Best Cars Web Site

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