Volks Extreme Performance

Guia para comprar seu carro usado

25/01/2005

Você trabalhou duro o ano inteiro para juntar um dinheiro e poder trocar o carro, e agora chegou a hora! É só achar um brilhando, assinar o cheque e sair andando, certo? Errado...ao comprar um carro usado você precisa cercar-se de vários cuidados, para evitar que a alegria inicial de trocar de carro se transforme num martírio sem fim.

Você pode se deparar com dois tipos de proprietários:

  • Aquele que sempre faz as manutenções preventivas, e  que ao menor ruído, ou luz que acende no painel, já leva o carro para a  oficina de sua confiança.

  • Ou aquele outro que não liga para ruídos e luzes piscando, e que só leva o carro para a oficina em cima de um guincho, pois ele acabou de quebrar em algum lugar.

Para evitar ser vítima desse último tipo, você pode tomar alguns cuidados para garantir uma compra segura, que só lhe trará alegrias:

Antes de mais nada, faça um levantamento do modelo de sua preferência nos classificados e tabelas de jornais e revistas para ter uma idéia do preço de mercado.

Informe-se sobre a marca, modelo, cor, ano de fabricação, quilometragem rodada, placa e os equipamentos opcionais (direção hidráulica, ar-condicionado etc.) para ver se o valor pedido pelo vendedor está de acordo com o valor de mercado.

Lembre-se que o que vale é o ano-modelo, e não o ano de fabricação. Este último só tem efeito para o pagamento anual do IPVA.

Prestar atenção a alguns detalhes podem lhe dizer tudo sobre a utilização do carro. O principal, e mais fácil, é observar o estado geral do veículo, tanto por dentro quanto por fora.

Por dentro: estado geral de limpeza, risco nas partes plásticas ou não, estado dos tapetes (tecido ou borracha), painel, acendedor de cigarros e cinzeiro. Nos bancos: limpeza, manchas, marca de cigarro e outras coisas indicam o cuidado (ou relaxo) do dono.

Por fora: o principal é a pintura. Se há algum ponto de ferrugem, riscos, estado geral da pintura (se está liso, aveludado e pintura não queimada, o dono é bem cuidadoso; se está limpo mas mesmo com cera você sente uma certa aspereza, o dono só mandou lavar e encerar pq vai vender, o que indica um nível baixo de conservação) e se há retoques na pintura.

Pneus: Fique atento ao estado dos 4 pneus, se o desgaste é uniforme em todos. Desgaste irregular nos pneus pode indicar desalinhamento de direção ou da suspensão (provocado por empenamento de bandejas ou desgaste excessivo das buchas) ou ainda falta de balanceamento das rodas (aros excessivamente amassados ou fora de centro). O estepe não deve ser esquecido. Preferencialmente ele deve ainda ter aqueles "cabelinhos" indicando pouco ou nenhum uso. Aproveite que está no porta-malas e verifique também a presença do extintor de incêndio, macaco, triângulo e chave de roda (itens de segurança obrigatórios).

Com o carro suspenso, balance simultaneamente as rodas dianteiras para dentro e para fora. Se houver folga, pode indicar rolamento gasto ou ainda folga excessiva nas buchas de suspensão ou terminais de direção.

Esterce a direção totalmente e, em primeira marcha, faça várias curvas de 360 graus. Depois vire o volante para o lado oposto e repita o procedimento. Se ouvir uma sequência de estalos é sinal que a junta homocinética está com defeito e precisa ser trocada.

Teste os amortecedores balançando o carro pelos pára-lamas. Jogue todo o peso do corpo sobre as mãos, pressionando-o para baixo e solte rapidamente. Se a carroceria balançar duas ou três vezes, em seqüência, é porque os amortecedores já estão vencidos.

Carroceria arriada, na frente ou atrás, ou desnivelada em um dos lados, indica que as molas da suspensão estão vencidas, comprometendo a segurança do veículo

Compartimento do motor: verifique o reservatório de expansão da água do radiador, que não deve ter uma cor de ferrugem. Pelo menos não é recomendável. Cheque também o nível do fluido de freio e do fluido do sistema de direção hidráulica. Procure por algum outro tipo de vazamento nas juntas do motor e faça-o funcionar para ouvir o ronco dele, sempre atento a ruídos metálicos (batida de pino) ou parecidos com máquina de costura (motor rajando). Fumaça e óleo no escape apontam má vedação ou motor cansado.

Se o carro for de 16 válvulas, pergunte ao vendedor sobre a manutenção da correia dentada e a regulagem da polia.

Freios: verifique os de uso (se está muito baixo ou "borrachudo") e de estacionamento (se o travamento ocorre no primeiros dentes, que é o correto, no é preciso puxar muito a alavanca. 

Ar condicionado: a manutenção deste item de conforto é imprescindível. Ele deve ser utilizado pelo menos uma vez por mês para manter o sistema lubrificado e vedado. A troca do filtro de pólen, ou micro-filtro, deve ser feita a cada ano juntamente com a higienização e desinfecção dos dutos de ar. Para saber se essa manutenção foi feita basta fazer o ar funcionar por pelo menos 5 minutos e depois desligar apenas deixando o ventilador ligado. O odor a ser sentido deverá ser no máximo de um ar mais úmido, se sentir um cheiro de mofo, provavelmente o filtro estará completamente sujo e os dutos sujos com pó, ácaros e fungos (altamente nocivo para a saúde dos ocupantes do veículo).

Verifique se todos os comandos estão funcionando corretamente: faróis, limpadores de pára-brisa, desembaçador, pisca-pisca, luzes de freio e ré, buzina, velocímetro, pisca-alerta, marcador de temperatura e outros equipamentos.

Verifique travas, vidros e espelhos elétricos. Nada seria mais desagradável do que chegar em casa com o novo carro e descobrir que alguns desses itens não está funcionado.

Confira se o velocímetro bate com a quilometragem declarada, olhando o manual do proprietário e a etiqueta da troca do óleo. Também dá para se ter uma idéia melhor sobre a idade real do carro pelo estado dos bancos (ao sentar-se, veja se os bancos estão rasgados, afundados ou soltos -sinais de veículo já está muito rodado-, o que pode comprometer a segurança e causar acidentes), desgaste de tapetes, pedais e pneus.

Se o carro estiver equipado com kit de gás natural (GNV), esteja consciente de que você perderá um pouco da potência do motor. Coisa de 10% ou menos no caso de um motor 2.0. Essa perda poderia ser maior num veículo 1.0 e poderia chegar a 20%. Esse sistema também não está livre de manutenção, que deve ser feita a cada XX km. O peso do veículo aumenta, e dependendo do caso, é necessário reforçar a suspensão traseira.

Solicite as notas fiscais de reparos que tenham sido feitos recentemente, para que você possa se socorrer de eventual garantia.

Agora que você verificou todos os itens acima e achou um carro bem conservado mecanicamente, é hora de checar se a documentação também está em ordem

Documentação a ser exigida pelo comprador:

1. Comprovante de pagamento de IPVA e Seguro Obrigatório;
2. Certificado de Registro e Licenciamento de veículo;
3. Certificado de transferência, datado, preenchido e com firma reconhecida (recibo/contato);

Atenção:
Verifique a autenticidade de todos os documentos. Todas as modificações feitas no motor, na lataria e equipamentos do carro precisam estar devidamente homologadas pelo DETRAN. Todas as alterações devem constar no documento do veículo. O novo Código de Trânsito Brasileiro prevê uma série de restrições e punições nesse sentido. Fique atento! Desconfie de cópias apresentadas, mesmo que sejam autenticadas por órgãos de trânsito.

De posse do nome do proprietário, números do chassi e da placa, ano-modelo e cor do veículo, ligue para o Detran para levantar o prontuário do carro (total de multas, bloqueios de IPVA, alienação ou reserva de domínio e também se o carro figura na lista de furtados ou roubados).

Verifique se o número do chassi gravado perto do motor, nos vidros e em outros pontos da carroceria confere com o do certificado do veículo. Verifique se os números estampados na carroceria estão adulterados ou com sinais de terem sido regravados. Os números e letras da gravação na chapa devem estar alinhados, com espaçamentos regulares e contornos uniformes.

Peça o documento do carro e verifique se o recibo já está assinado. Se estiver redobre sua atenção. Pela legislação atual esse documento só pode ser assinado em cartório, pelo atual dono, no ato do reconhecimento da assinatura. Esse recibo deverá ser autenticado e entregue ao Departamento de Trânsito para a transferência da documentação. O novo proprietário tem 30 dias para fazer essa transferência.

Tire duas cópias autenticadas desse documento, já assinado e com firma reconhecida. Fique com uma delas para recorrer de eventuais infrações cometidas pelo proprietário anterior antes da data da venda. Envie a outra cópia para o Detran. Com o sistema de pontuação negativa do novo Código Brasileiro de Trânsito, é importante comunicar a transação e a mudança de proprietário ao órgão.

Documentos exigidos pelo DETRAN para transferências:

Transferência para seu nome sem alteração de placa:

1. Comprovante de pagamento do IPVA, do Seguro Obrigatório e das multas;
2. Certificado de Registro e Licenciamento de veículo;
3. Recibo de venda ou contrato;

Transferência para seu nome com alteração de placa:

1. Comprovante de pagamento do IPVA, do Seguro Obrigatório e das multas;
2. Certificado de Registro e Licenciamento de veículo;
3. Recibo de venda ou contrato;
4. Certificado de prontuário (histórico do carro);
5. Certificado de multas (município de origem);
6. Certificado de furto (com origem de outro Estado);
7. Vistoria;

Dicas do Procon:

Algumas concessionárias vendem carros que não estão em perfeitas condições por um preço mais em conta. O consumidor que decidir adquirir um veículo neste estado é aconselhável que peça detalhadamente no recibo de compra todos os problemas apresentados. Havendo algum problema posteriormente, o consumidor só poderá cobrar pelas informações descritas na nota fiscal ou no recibo de compra.

Nunca aceite acordo verbal, exija tudo por escrito em nota fiscal ou recibo de compra, com data e nome do estabelecimento. Só efetue sua compra após verificar junto ao DETRAN se o veículo não é furtado ou se apresenta multas pendentes. O DETRAN informa a situação cadastral do veículo, como multas, alienação ou bloqueios administrativos. Só aceite documentos originais. Recuse papéis com rasuras ou fotocópias, mesmo que autenticadas.

A compra de um veículo diretamente de outra pessoa não constitui uma relação de consumo. A pessoa física, neste caso, não é considerada um fornecedor habitual, ficando assim, à margem do Código de Defesa do Consumidor, protegido, entretanto, pelo Código Civil.

Colaboração: Luiz Fernando Cadorin (Fórum Volks Extreme)
Fonte: CarSale e Procon-DF


   
 

 

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